FACULDADE UNESUL BAHIA SAI NA FRENTE EM EUNÁPOLIS

  1. Foi dado mais um passo importante para a saúde do brasileiro; os estudantes de medicina entrarão em contato com os cuidados paliativos ainda na faculdade, os conceitos da disciplina agora são obrigatórios nas graduações de medicina. Sim, só agora, e a UneSul Bahia- Eunápolis sai na frente mais uma vez.

Na prática, isso significa que os futuros médicos terão mais condições de cuidar de  pacientes com doenças agudas ou crônicas ameaçadoras da vida, como câncer, Alzheimer, Parkinson ou mesmo sequelas agudas de covid-19.

A resolução foi homologada pelo CNE (Conselho Nacional de Educação), do MEC (Ministério da Educação), em 3 de novembro de 2022, e entrou em vigor em 1º de dezembro. Era uma batalha antiga e foi vista com bons olhos pelos especialistas.

Dra Ana Célia Pimentel, médica Intensivista, Clínica Geral, e Paliativista

Segundo a Dra Ana Célia Pimentel, médica que atua em terapia intensiva, clínica geral e cuidados paliativos,  que é a professora  da faculdade de medicina UneSul Bahia, ela afirma que a novidade dos cuidados paliativos chegarem obrigatoriamente à graduação de medicina já começa a gerar impacto positivo.

“Essa medida já inspira  trabalhos de conclusão de curso de alunos da UneSul”, conta. “Estamos vivendo um momento muito propício para essa mudança de mentalidade coletiva. E, sem dúvida, a mudança no currículo da medicina é um marco muito importante que contribui para isso”, conclui a Dra.

 

HÁ GARGALOS A SEREM SANADOS:

Apenas 14% das faculdades de medicina no Brasil já têm cuidados paliativos na grade curricular, aponta uma pesquisa da médica Andrea Castro, docente da Faculdade de Ciências Médicas da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e integrante do Comitê de Graduação da ANCP (Academia Nacional de Cuidados Paliativos).
Em números absolutos, dos 315 cursos pesquisados, apenas 44 já pautam a prática em sala de aula; destes, 57% são instituições de ensino particulares.
Onde já há cuidados paliativos na graduação, os conteúdos programáticos passam, em linhas gerais, por bioética, dor, oncologia, doenças crônicas, finitude, tanatologia (estudo científico da morte), geriatria e senescência (processo natural de envelhecimento).

Segundo a médica Dra Ana Célia Pimentel, a pioneira e única em nossa região do extremo-sul da bahia, mais precisamente em Eunápolis, o que se espera é que, ao ter contato com conceitos dos cuidados paliativos, os médicos recém formados saiam da graduação sabendo fazer avaliações adequadas de prognósticos e das fases de cada doença, além de terem condições para traçar um planejamento de cuidados proporcionais à demanda, desenvolverem boas competências de comunicação e saberem controlar os sintomas de cada pessoa em cada diagnóstico.

“O primeiro desafio é que nós não temos professores suficientes de cuidados paliativos hoje. Os cuidados paliativos vão acabar sendo ensinados por pessoas que não têm formação ou não são tituladas, com o risco de ter um grande viés de preconceito e aprendizado dos alunos”.

Na cidade de Porto Seguro, no hospital  Deputado Luís Eduardo Magalhães – HDLEM, há um serviço atuante de equipe multidisciplinar de cuidados paliativos. Esta iniciativa faz parte do programa  do governo da Bahia. Os profissionais do hospital foram capacitados para prestar um cuidado paliativo geral, mostrando a importância de introduzir o conceito mesmo que não haja profissionais especializados.

Entretanto, no Hospital Regional de Eunápolis, outro hospital responsável por atender uma grande demanda de pacientes do extremo-sul, não dispõe de equipe treinada para prestar uma abordagem paliativa, bem como nenhum profissional de formação na área.

O QUE SÃO CUIDADOS PALIATIVOS?

Por definição da OMS, os cuidados paliativos são uma abordagem multidisciplinar que deve ser ofertada no momento do diagnóstico de uma doença ameaçadora de vida. Ou seja: é direito de quem está em fim de vida (Estado terminal), mas não só. Toda enfermidade grave ou crônica que coloque a vida do paciente em risco já é elegível para receber cuidados extras.

Pelo caráter multidisciplinar, o paciente não é visto apenas como um órgão a ser curado, mas como uma pessoa a ser cuidada. Como sabemos, receber uma notícia de uma doença séria desestabiliza a todos: paciente, família e amigos. Então, a soma de esforços é bem-vinda.

Médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos, assistentes socais ,nutricionistas e capelões são só alguns dos profissionais necessários nessa estrutura.

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